18 de janeiro de 2016

Quando a mão de Deus nos golpeia.


“Retira de sobre mim o teu flagelo, desfaleço pelo golpe da tua mão.” (Sl 39:10)

Não são poucas as vezes em que Deus usa a vara de Sua disciplina para nos levar a obediência, não é possível que exista um cristão genuíno que não tenha sido golpeado por Sua mão protetora e zelosa, a Escritura chega mesmo a afirmar que se não somos disciplinados, então não somos filhos legítimos (Hb 12:8). Muitas vezes não somos capazes de perceber os pecados que estão a espreita dentro de nós, sendo necessário que o Senhor nos exânime e consequentemente nos açoite para expurgar os males que impedem o nosso crescimento na santificação. Mas nem sempre entendemos isso e quando o Senhor bondosamente nos fere, ficamos atordoados e doentes de tristeza, por não compreendermos o motivo pelo qual passamos por isso, não nos submetemos a disciplina, mas recalcitramos e tornamos tudo ainda mais difícil, outras vezes desanimamos e beiramos a estagnação espiritual.

O trigésimo nono Salmo, atribuído a Davi, é um daqueles poemas melancólicos, estruturado dentro da beleza da literatura hebraica, caracterizado por um sofrimento que o salmista não específica. É um salmo do tipo Lamento e de natureza individual. Nos versículos de 1 a 3, Davi está mergulhado em dor e tristeza e resolve silenciar para não pecar com palavras, mas o silêncio não alivia sua dor, o contrário, aumenta ainda mais a tornando insuportável e pedindo para ser expressa, o que ele faz dos versículos 4 a 6, em palavras que retratam uma visão muito desanimadora da vida humana, mostrando o estado deprimente do seu espírito. Já dos versículos 7 a 13, ele reconhece a mão divina como sendo a responsável pela sua dor, clama para que Deus escute sua oração e conclui pedindo para que o Senhor desvie dele Seu olhar de censura para que possa ter um pouco de alivio antes que termine sua existência nesse mundo.

No versículo 10, do referido Salmo, o aclamado rei de Israel, afirma explicitamente que o seu sofrimento veio de Deus: “retira de mim o teu flagelo” ele chama de flagelo o sofrimento que tem lhe desolado, ansiando para que o Senhor faça cessar, não suportando mais, pois em seguida diz: “desfaleço pelo golpe da tua mão”, exprimindo seu estado de fraqueza ante o sofrimento. Quando o Senhor estende Sua mão e fere os seus filhos, Ele não o faz com a intenção de destruí-los, mas de corrigi-los para que sejam conformados a Sua vontade. Deus se mostra imensamente bondoso para conosco em agir assim, pois para com aqueles que não estão selados com o Seu Espírito, Ele os abandona as dissoluções de seus próprios corações para que vivam de acordo com suas inclinações infames (Rm 1.24-28), mas conosco não é assim, como um Pai amoroso que Ele é, nos bate, fere, despedaça, corrigi, sara e nos traz de volta quando nos afastamos do caminho da vida. Se a historia dos israelitas nos servi como indicador, podemos perceber que o principal motivo pelo qual Deus nos feri é quando colocamos alguma pessoa ou coisa no lugar que é devido a Ele. 

No livro do profeta Oséias, vemos o Senhor cercando o caminho do seu povo com espinhos para que voltassem para Ele (Os 2.6-7). Usando a figura do marido e da esposa, o Senhor Deus expõe sua queixa contra Seu povo, descrevendo seus pecados e como irá feri-lo: lhe tirará o trigo, o vinho, o azeite, a lã e o linho (Os 2.9); exporá sua vergonha na presença dos seus amantes, acabará com suas festas, devastará suas vinhas e figueiras, e os castigará pelos dias que queimaram incenso aos ídolos esquecendo-se do Senhor (Os 2.9-13). Logo em seguida Ele expressa Seu amor imutável nessas palavras: “Todavia, eu a atrairei, levarei para o deserto e lhe falarei ao coração.” (Os 2.14).

Toda vez que Israel pôs ídolos no lugar do Senhor, Ele veio e os feriu, porque não pode tolerar que nada e nem ninguém ocupe o lugar dEle em nosso coração. Deus curou a idolatria dos hebreus, descrita no livro de Oséias, com o cativeiro, depois que Israel voltou da Babilônia nunca mais se curvou diante de uma imagem de escultura. O mesmo Senhor que feri é o que cura: “Vinde e voltemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará, nos feriu e nos curará” (Os 6.1).

Quando formos golpeados por Sua mão, não devemos ficar articulando desculpas para os nossos pecados, mas pedir ao Senhor que Ele bondosamente nos torne cada vez mais conscientes desses pecados, para que possamos odiá-los como Ele odeia e arrependidos e confiantes em Sua misericórdia, peçamos perdão para que sejamos novamente restaurados a santa comunhão, e o bálsamo do Seu amor nos cure e traga o vigor para continuarmos nossa caminhada até o dia em que sejamos chamados ao nossa morada eterna, quando não haverá mais necessidade de correção.

Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados. (Hebreus 12:11)

Sonaly Soares

8 comentários:

  1. Foi uma bênção pra mim ter lido esse artigo! :)

    Abs.
    http://cafeebonslivros.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Kelly!

      Glória a Deus por sua edificação. As vezes não conseguimos entender o que nos traz sofrimento, não é?

      Lindo o seu blog.

      Abraço fraterno!

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  2. Respostas
    1. Olá, Maria Elizabete!

      Deus te abençoe em Cristo!

      Abraço fraterno!

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  3. Maravilhoso post! Já tive esses momentos que não entendia o porque da disciplina. Glória a Deus vejo que hoje é tudo para me moldar e ter um caráter parecido com o de Cristo. Deus é bom!

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    1. Olá, Nay!

      É verdade, nem sempre conseguimos entender essas coisas da vida cristã, mas louvado seja Deus, que hoje você pode ver além e entender o propósito maior de tudo em nossas vidas.

      Abraço fraterno!

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  4. Essa é minha primeira visita ao Blog e estou encantada com cada palavra descrita. Sinto=me acalentada em saber que creio em um Deus que não divide seu trono, Ele nos ama, isso que importa nessa vida terrena. Que Deus vos abençoe ricamente e que mais e mais pessoas possam ter acessos a excelentes textos como este.

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    1. Olá, Jéssica!

      Seja muito bem-vinda!!! Realmente, a soberania de Deus é uma fonte de grande consolo para nossas almas.

      Abraço fraterno!

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