3 de julho de 2017

Série: Encorajamento para mulheres solteiras - Contra a solidão


O tempo de solteirice é um tempo que geralmente possuímos dificuldades de lidar. Por ser marcado pela incerteza do futuro, pela pressão do presente, e por estarmos inseridas em um mundo que é permeado de relações amorosas. O fato de sermos solteiras pode nos trazer várias implicações que nos deixam de certa forma atribuladas e inseguras, uma delas é a solidão, é nela que focaremos nesse texto.

A solidão é algo intrínseco de nosso ser, e costumamos associa-la com uma sensação de vazio, de falta de significado e de pessoas. Todas nós já nos sentimos assim, embora muitas vezes não dando indícios disso para os outros.

Tentamos não nos sentir solitárias de várias formas, porém, o que parece ser é que um vazio existencial sempre está nos perseguindo. O nosso desejo por um alguém prevalece, e então inculcamos em nossa mente que ainda não somos felizes porque estamos solteiras. Deparamo-nos com vários relacionamentos amorosos, vemos muitas pessoas tendo momentos incríveis com seus parceiros, outras já planejando os seus casamentos, e o fato das pessoas aparentarem estar tão bem intensifica a nossa dor, nos levando ao isolamento por nos sentirmos as únicas que sofrem desse mal que é a solidão, pois, afinal, estamos solteiras, não temos ninguém pra compartilhar momentos e dividir as nossas vidas integralmente. Não temos um companheiro que nos faça sentir amadas e estimadas, a quem possamos amar, sonhar junto, querer estar perto e nos sentir bem.

O Senhor Deus nos criou à Sua própria imagem, Ele subsiste em três pessoas que estão em perfeita comunhão e harmonia, eternamente. Fomos então feitas à imagem da comunhão trinitariana, e sendo assim, temos uma essência relacional. O primeiro homem criado, Adão, desfrutava de inteira comunhão com Deus, o seu Criador, até que um dia desobedeceu a Sua voz, optando pela sua própria vontade em vez de atentar para a vontade do Senhor. Como consequência disso, teve o seu relacionamento com Ele rompido (Gn 3). Após haver pecado, Adão perdeu o grande prazer de se relacionar intimamente com Deus. O Senhor Deus foi tirado do centro do seu ser, restando um enorme vazio. É assim que a solidão surge e desde então, os seres humanos tentam preencher esse vazio com os relacionamentos humanos, a exemplo da relação amorosa.

A solidão, assim como qualquer outro problema da nossa natureza caída, provém da queda, e não meramente da ausência de pessoas, sendo, portanto, um problema espiritual, que só pode ser superado cabalmente com a presença de Deus. A presença de pessoas é necessária para a nossa formação e identificação como indivíduo, pois ninguém consegue viver saudavelmente sozinho; porém, a presença de Deus é indispensável para as nossas vidas, e é somente Nele que podemos ser plenamente realizadas.  

“(...) Muitas vezes nós definimos a solidão em termos físicos ou emocionais. Pensamos que a solidão pode ser definida pela ausência de pessoas, seja fisicamente ou emocionalmente. Então, pensamos em nós mesmos: ‘O que precisamos fazer para consertar nosso problema de solidão é ter mais pessoas em nossas vidas’. E quando isso não funciona, pensamos: ‘Bem, precisamos de pessoas mais consideráveis em nossas vidas’. E então, falei sobre como definimos a solidão como emocional ou física. Mas isso não completa a imagem porque a solidão também é a presença de dor. A solidão não é apenas a ausência de pessoas; é a presença da dor, a dor da separação de Deus e dos outros. Começou no jardim do Éden quando Adão decidiu escolher os prazeres do pecado e, ao fazê-lo, herdou a dor da solidão”.¹

Quando desejamos um alguém, não é meramente por causa dele, mas por causa de nós. Não é somente pelo o que ele é, mas pelo o que ele pode nos fazer ser e sentir. Assim, concentramos as nossas profundas necessidades no ideal de um ser humano igual a nós, repleto de falhas e falido em suas próprias necessidades. Concentramos a nossa força na busca de um namorado em potencial, porém, ao sermos desapontadas em não conseguirmos o que queríamos em termos de completa realização, mudamos o foco da nossa busca: queremos o casamento. Só que o casamento também não é capaz de arcar com o peso da nossa solidão, e então queremos ter filhos, ou um emprego, ou melhores amigos, enfim! A busca não se finda. Então, como não conseguimos estar realizadas pelos meios que buscamos, passamos a estar insatisfeitas com o nosso casamento, com o nosso marido, com os nossos filhos, com a nossa vida e com Deus. Lançamos o peso da culpa no meio em que estamos e nas pessoas, e não atentamos que o problema está em nós. Porque vemos as pessoas como um meio de extrairmos o que entendemos como Redenção, passamos a amar e a ver pessoas como uma espécie de deus em nossos corações, e essa busca será incessante enquanto não encontrarmos o Médico de nossas almas, o único que pode curar o nosso coração de todo mal causado pelo sofrimento do pecado. Só aprenderemos a ver as pessoas como pessoas em nossas vidas quando aprendermos a ter a Deus como de fato, o nosso Deus.

Não é sensato pensarmos que as pessoas podem nos oferecer o que Deus pode nos oferecer. Nele está o clímax de toda a necessidade humana, inclusive da nossa necessidade de um namorado, noivo e marido. Ele é a solução para a nossa solidão, porque a Sua presença pode nos fazer abundantes de alegria e repletas de eterno prazer (Sl 16:11).

O Senhor nos prometeu que nunca estaremos sozinhas, porque Ele não irá nos desamparar nem nos abandonar (Hb 13:5, Sl 23:4, Sl 27:10, Mt 28:20). Então, por mais que nos sintamos sozinhas, na verdade não estamos, temos um amigo, ou melhor: um melhor amigo, que é também o nosso Pai celestial e o nosso Deus.

Ele entende a nossa solidão, pois se identificou conosco quando tomou a forma humana (Hb 2:17-18, 4:15). Embora sem pecado, Jesus se deparou com o abandono de pessoas, e num determinado momento, do próprio Deus (Mc 15:34). Ele preferiu sofrer suportando a ausência de seu Pai para que nós pudéssemos desfrutar da Sua presença, eternamente. Então, Ele nos entende, e proveu aquilo que o nosso coração de realmente necessita: a presença contínua de Deus.

Além disso, Ele sabe de tudo o que necessitamos antes de O mencionarmos uma só letra, antes de O pedirmos qualquer coisa (Sl 139:4, Mt 6:8). Portanto, Deus sabe nos dar o que necessitamos, quando Ele vê que é bom para recebermos, no Seu tempo, que é melhor que o nosso e sob as Suas condições, que são sábias e perfeitas.

Por não aguentamos a dor da solidão, não percebemos que podemos estar desperdiçando um período que é precioso em nossas vidas: o da solteirice; e andamos insatisfeitas com ele ao invés de recebê-lo como um presente de Deus. Deus é digno de ser glorificado, embora estejamos sofrendo com a solidão e com a obscuridade das coisas, como bem disse Paul Matthies:

“Deixe-me falar uma palavra muito pessoal para solteiros. Para a maioria de nós, o maior medo do mundo é que sempre seremos a dama de honra e nunca ser a noiva, e a esperança que esta passagem nos dá é que Deus é digno de adoração, independentemente de morrermos sozinhos e em obscuridade (João 3: 23-30). Ele ainda pode fazer a nossa alegria cheia. Ele ainda pode nos encher de alegria. Por quê? Porque, enquanto Jesus está sendo levantado, temos a grande promessa de que aquele que é acima de tudo ainda pode nos encher de alegria e, embora possamos ser esquecidos, desde que as obras (feitos) do Senhor não sejam esquecidas, nossa alegria pode ser preenchida. E Deus é digno de adoração, mesmo que morramos na obscuridade.”¹

Abaixo estão enumeradas algumas aplicações para as mulheres solteiras que lutam contra a solidão:

1. Não devemos nos guiar pelo que sentimos, mas pelo o que sabemos. Os sentimentos nunca devem determinar o rumo da nossa fé, pois precisamos nos amparar naquilo que conhecemos à luz das Escrituras. Então, não permita que a solidão encaminhe a sua vida, mas sim a Palavra de Deus.

2. A solidão é uma consequência da queda, mas Deus já providenciou a solução para ela: “Temos uma solução para o nosso problema espiritual, e se nos submetemos ao Senhor e aceitamos sua solução para o nosso mais profundo problema espiritual, a obra expiatória de Cristo na cruz, Deus pode atacar a solidão na sua raiz e superar a dor da separação em nossas vidas que levam à separação dele, o que leva à separação de outras pessoas.”¹

3. Nossas tentativas de encontrar realização nas coisas, nas pessoas e nos relacionamentos, sejam amorosos ou não, sempre irá falhar; porém, Deus nos permite desfrutar de Sua presença se O buscarmos, e nela o nosso coração encontrará o significado de que tanto carece.

4. O Senhor entende e considera a nossa solidão, conhece todas as nossas necessidades antes mesmo de O pedirmos. Logo, Ele conhece o nosso desejo por um relacionamento amoroso, e pode nos concedê-lo, a Seu tempo, e conforme a Sua vontade, que é sempre o melhor pra nossas vidas.

5. Não pecamos por desejar uma companhia, ou até por nos sentirmos sós. Pecamos quando usamos essas coisas como argumentos para pecarmos contra o Senhor, exaltando as nossas próprias necessidades ao invés de nos submetermos ao senhorio de Cristo.

6. As amizades e a família são de ótima valia para os solteiros, além de ser uma grande necessidade. Que ao invés de isolar-nos em nossa solidão, entendamos o valor de cultivarmos amizades, tendo amigos e sendo um; e o valor da família, as pessoas com quem o Senhor permitiu que convivêssemos nesse mundo.

7. Que como mulheres solteiras, possamos aproveitar esse tempo que é tão precioso em nossas vidas, buscando cultivar os frutos de nosso caráter que nos tornarão preparadas para a responsabilidade do casamento, a fim de sermos mulheres prudentes e virtuosas, para que, assim como Charo e Paul Washer² escreveu, possamos oferecer ao nosso futuro marido e ao mundo algo mais do que apenas um rosto bonito.

8. E, apesar de qualquer coisa, Deus é digno de ser engrandecido, ainda que em nossa obscuridade. Vivamos o hoje intensamente para Ele, em serviço cristão e em prol do Reino!

Thayse Fernandes
___________________________
¹ Paul Matthies. De uma série de sermões, intitulada: Only the Lonely.
² A mulher de Deus (Tornando-se Ester), de Charo e Paul Washer. Disponível em pdf no link: voltemosaoevangelho.com/blog/2009/06/charo-e-paul-washer-a-mulher-de-deus-tornado-se-ester

9 comentários:

  1. Texto muito bom !! Parabéns ! Tudo Isso é bem verdade !!O Senhor é e deve ser tudo em nós , Ele é a própria vida !!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Carol!

      Obrigada pelas palavras. Que o Senhor nos agracie sendo, de fato, tudo em nós, para a nossa alegria, e a Sua glória.

      Um abraço!

      Excluir
  2. Texto muito bom !! Parabéns ! Tudo Isso é bem verdade !!O Senhor é e deve ser tudo em nós , Ele é a própria vida !!

    ResponderExcluir
  3. Maravilhoso texto! Deus as abençoe.

    ResponderExcluir
  4. Texto maravilhoso! Obrigada por compartilhar! Que Deus as abençoe!

    ResponderExcluir